Tuesday, August 28, 2007

Design to Improve Life

Foram atríbuidos esta semana em Copenhaga os prémios INDEX 2007. Uma ONG apostada na promoção da inovação e design, sem fins lucrativos, evidenciando objectos, ideias ou conceitos que possam melhorar consideravelmente aspectos da vida humana. A equação que estabeleceu os critérios para a avaliação das ideias a concurso desenvolve-se em torno de três variáveis, para um mesmo resultado: Design to Improve Life.

FORM (function, aesthetics, color, materials, coherency, user friendliness) = DESIGN
IMPACT (result, urgency, number affected, sustainability, economics, level of innovation) = IMPROVE
CONTEXT (culture, values, geography, ethics) = LIFE


Um protótipo de prótese ortopédica de grande qualidade e muito baixo custo ou uma garrafa que purifica água, apenas por exposição solar, são dois dos vencedores do evento.

Não destacar mais nenhuma das ideias obriga a lançar o desafio: para quem se interroga sobre progresso e sustentabilidade da vida humana no Planeta valerá a pena de mergulhar no verdadeiro mar de ideias apresentadas em Copenhaga.

Atreva-se, aqui: INDEX 2007

Thursday, August 23, 2007

Joëlle Léandre

Joëlle Léandre prepara-se para re-interpertar John Cage

O solo de Joëlle Léandre no Jazz em Agosto 2007 transportou-nos para outra dimensão. A música como arte suprema, linguagem universal. Evidenciou a liberdade criativa em que a artista se move, ultrapassando barreiras estilisticas falsamente qualificativas. Jazz, música de câmara, poesia sonora, performance. Composição, improvisação.
Assombrosa a relação de amor / ódio de Leandre com o contrabaixo e a garra com que consegue dialogar com o instrumento, envolvendo e obrigando o público a testemunhar e viver cada instante.

Concerto do ano.

Monday, August 13, 2007

Tony Wilson, (20.02.1950 - 10.08.2007)

NEW ORDER : Power Corruption and Lies, Design Peter Saville, 1983

Mr. Manchester, Tony Wilson, fundador da Factory Records, morreu na passada Sexta-Feira, dia 10, aos 57 anos:

"above all, he made things happen"


Factory Records: A Certain Ratio, Orchestral Manoeuvres in the Dark, Cabaret Voltaire, The Durutti Column, Joy Division, New Order, The Happy Mondays; (Peter Saville, Martin Hannett).

The Haçienda: Madchester

Wednesday, August 08, 2007

Muhal Richard Abrams, Roscoe Mitchell e George Lewis no Jazz em Agosto

Fixamos um par de imagens do concerto de abertura do Jazz em Agosto 2007, pelo do trio de Chicago Muhal Richard Abrams, Roscoe Mitchell e George Lewis. Uma proposta que, sendo muito satisfatória, não surpreendeu.

Exímio mas discreto, o piano de Muhal R Abrams serviu de teia de sustentação aos sopros contínuos de Roscoe Mitchell, histórico saxofonista do mítico Art Ensemble of Chicago, e aos improvisos do trombonista George Lewis.

Os 3 elementos da histórica Association for the Advancement of Creative Musicians tocaram sempre em regime composição espontânea, conseguindo um fluxo contínuo de frases reveladoras das suas capacidades como instrumentistas de excelência. Mitchel foi o mais inspirado e George Lewis o mais contraditório. Se, por um lado, conseguiu ao trombone acompanhar e muitas vezes amplificar os rasgos criativos de Roscoe Mitchell, o recurso repetido ao Laptop nunca consegui surpreender. Esperávamos mais de um músico que tem usado frequentemente a electrónica como ferramenta de criação musical.

Fixamos ainda os momentos mais intrigantes do espectáculo, em que as ambiências do computador de George Lewis inspiravam sopros profundamente misteriosos a R Mitchell, drones sussurrados, que depois de nos inquietarem, forneciam a energia necessária para os momentos de elevada tensão, atingidos repetidas vezes pelo trio.

Obrigamo-nos a mergulhar rapidamente, e com afinco, em Streaming, registo recente do trio na Pi Recordings.

Saturday, August 04, 2007

Carlos Zíngaro encontra-se com Jorge Lima Barreto no JA2007

Três (ou quatro) questões ao mais internacional dos músicos experimentais portugueses, Carlos Zíngaro: músico violinista, improvisador, compositor de músicas de cena, professor. Mantém uma postura ímpar no contexto das músicas de arte e tocou, ao longo de três décadas e meio de carreira artística, com alguns dos mais importantes nomes da música experimental. Apontamos apenas dois dos inúmeros exemplos possíveis: o trombonista George Lewis que abriu ontem da melhor maneira o Jazz em Agosto 2007 ( com o pianista Muhal Richard Abrams e o saxofonista Roscoe Mitchell), ou a contrabaixista Joëlle Léandre que tocará em Lisboa no próximo fim-de-semana, Sexta 10 no Quartet Noir ( + Urs Leimgruber, Marilyn Crispell, Fritz Hauser), e em solo absoluto, Sábado 11.

As ideias que fixamos surgiram numa troca de emails, a propósito do encontro de Carlos Zingaro com Jorge Lima Barreto, amanhã Domingo 4, no Jazz em Agosto 2007.


1. Quando, e em que circunstâncias, tocou com Lima Barreto?
Presumindo que se refere a tocar em duo devo referir que, as únicas vezes em que tal aconteceu foi justamente na gravação do disco KITS em 1992 e, posteriormente, numa brevíssima apresentação do mesmo no Porto...
Houve vários encontros musicais entre mim e JLBarreto ao longo de mais de 30 anos mas sempre com outros intervenientes – os Telectu (com Rui Reininho e depois com Vitor Rua), os Anar Band, etc..
Este concerto no Jazz em Agosto será portanto a primeira (verdadeira) apresentação pública deste duo, e exclusivamente na sua vertente acústica, visto que no disco JLB utiliza sintetizadores e samplers para além do piano.


2. Para o concerto do próximo Domigo, na Gulbenkian, fizeram algum trabalho preparatório, ou será um encontro / confronto de dois músicos que falam a mesma linguagem e que esperam entender-se em improviso total? Quais as suas expectativas?
Não houve – como na realidade nunca tal existiu – qualquer tipo de trabalho preparatório, determinação de convenções, estruturação de parâmetros ou conversa informal sobre o que poderá acontecer neste concerto, para além da sua eventual duração de 50’ máximo...
Será pois um encontro, revisitado 15 anos depois, aonde tudo está em aberto, pelo menos no que me diz directamente respeito.
É esta a atitude que frequentemente assumo em novos (re)encontros.
O risco do inesperado quando se juntam personalidades musicais que não têm uma prática comum e/ou regular.
É o (estimulante) risco de um jogo em que tudo se pode perder ou ganhar em breves segundos de cumplicidade e entendimento ou, pelo contrário, no conflito de egos ou no autismo declarado...
Na gravação de um disco, como na composição, haverá sempre a oportunidade da edição posterior, da selecção, do apagamento, da correcção – coisa inexistente e impossível no contexto de concerto público.
Expectativas tenho-as sempre, apesar das décadas que levo destas práticas – uma das muitas razões que me fazem continuar a acreditar na espontaneidade musical = a adrenalina do inesperado, do momento de construção irrepetível, único!

O contexto é fantástico – pelo espaço e pelo evento.
Acrescentarei ainda que é a primeira vez que sou, enquanto membro de um duo iniciativa de outrém, convidado a integrar a programação do Jazz em Agosto. Toquei neste evento uma primeira vez, no seu início, enquanto convidado do grupo programado – o Trio SHIS (José Peixoto, Paulo Curado e José Martins) e uma segunda vez, extra programa – como tal alheio à programação determinada em cartaz – com Daunik Lazro e Raymond Boni.
Durante o brevíssimo período em que José Sasportes foi director do ACARTE e em que o habitual programador do Jazz em Agosto foi afastado, aceitei – como outros – o convite daquele director para Carta Branca na programação dos (então) três dias do Jazz em Agosto – coisa que fiz, conscientemente o melhor que sabia e podia dados os exíguos meios ao dispôr. Não me auto-programei nessa Carta Branca, mas fui inevitavelmente massacrado pelos “patrões do jazz” nacional!
Uma polémica velha de mais de trinta anos que me cansa e repugna. Que me entristece!
Isto para terminar dizendo que, tendo sido na prática o primeiro a ter projectos próprios na área da improvisação neste país (desde 1967), tendo depois continuado, durante trinta e cinco anos, uma carreira internacional independente e isenta de qualquer apoio Lusitano, continuo a nada dever às instituições públicas ou privadas deste país para a continuação do que me propus, da actividade a que me determinei...

3. O que o tem mantido ocupado? Muitas saídas para concertos em agenda? Compor para suporte a outras artes, Teatro ou a Dança?
As músicas de cena têm-se revelado particularmente escassas nestes últimos anos. Se houve uma recuperação desta actividade internacionalmente – com consecutivas residências e criações em França com o coreógrafo Francis Plisson – em Portugal, para além das esporádicas colaborações com os bailarinos/coreógrafos Ludger Lamers, Yola Pinto e Ana Santos e encomendas de Vasco Welencamp, o trabalho para teatro despareceu quase na íntegra e colaboração regular com outras artes performativas revela-se inconsistente e, como tal, inconsequente.
Motivos vários poderão sempre ser determinantes – cargos directivos essencialmente políticos que inevitavelmente oneram os verdadeiramente independentes, uma (hiper) apregoada crise económica, a sobrevalorização dos INS e OUTS da nossa (?) sociedade (?!) artística (???), as vantagens tecnológicas que permitem a qualquer encenador/coreógrafo (auto)determinar-se em director musical/compositor, fazendo colagens de recolhas discográficas a gosto pessoal, impune perante a passividade autoral aqui vigente...

Felizmente que, passados todos estes anos, continuo com uma actividade essencialmente (por necessidade e evidência) voltada para o exterior.
Depois de uma derradeira investida na constituição de um colectivo de músicos próximos esteticamente (a Granular em 2003) se ter inevitavelmente revelado uma brilhante utopia, pela incapacidade quase orgânica de artistas serem capazes de unir esforços por causas comuns, irei continuar a canseira de correr para aeroportos e combóios e hotéis... até parar!