Tuesday, July 31, 2007

Imortais

Um cineasta é um homem porque tem ideias; é um artista porque tem imginação. Michelangelo Antonioni
[29 Setembro 1912 - 30 Julho 2007]


O cinema europeu ficou muito mais pobre com o desaparecimento, em menos de 24 horas, de dois seus nomes maiores: Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni.

Do obituário de Antonioni publicado pelo inglês Guardian:
"At the Oscars ceremony in March 1995, the year of Forrest Gump, he received an honorary Oscar in recognition of his career from the hands of Jack Nicholson (chosen of course because he had been the star of The Passenger). After handing over the award, Nicholson asked him if there was a young American director of today he liked (it was the year of Pulp Fiction, which was to lose out that night to Forrest Gump). Antonioni mumbled a "no", pointed to Jack as maybe his choice, and everyone laughed."

O jornal sublinha, apontando para o You Tube, algumas das melhores cenas filmadas por Antonioni.
Os imortais não morrem.

Sunday, July 29, 2007

Crónicas Portuguesas

Vou falar-lhes de um Reino Maravilhoso. Embora haja muita gente que diz que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. [Miguel Torga, Portugal]

As duas irmãs, 1983, Georges Dussaud


As "Crónicas Portuguesas", 25 anos de Fotografia de Georges Dussaud em Portugal, expostas no Centro Português de Fotografia, são a retrospectiva de um fotógrafo francês que há um quarto de século se aproximou e estabeleceu contacto, encontro e empatia com as gentes do nosso Portugal.

Pessoas naturais, verdadeiras e simples que aceitaram quem com elas quiz viver, olhar de perto e fotografar. 25 anos de trabalhos fotográficos, com especial destaque para Trás-os-Montes na década de 80 do sec. XX, mas também alguns registos do projecto Europa Rural 93 encomendado pelos Encontros de Fotografia de Coimbra ou visitas posteriores de Dussaud a outras regiões e com outras gentes.

Um olhar sobre um país perfeitamente assimétrico, fixando instantes que testemunham uma evolução social e física de Portugal a ritmos distintos, de região para região. Pessoas anónimas que comem o que a terra lhes dá, que riem em grupo ou choram sozinhas o seu destino. Muitos miúdos que entretanto cresceram e tiveram de fugir do Interior para o Litoral ou partir em busca de uma outra Europa, outra vida, noutro país. Uma Lisboa tristonha no preto e branco das imagens. Mais, muito mais. Mais do nosso fado. Passado recente, realidade e muita verdade.

O tocador de flauta, 1980, Georges Dussaud

Não me escondo atrás de uma teleobjectiva. Aproximo-me das pessoas. E isso é muito bom, porque possibilita a experiência do encontro. Faço fotografia de contacto, de afectividade com as pessoas. - Sérgio Andrade entrevistou Georges Dussaud para o jornal Público, a propósito da inauguração da exposição patente na Cadeia da Relação.


Cheguei a um país de céu denso, de vento, de chuva, de praias brumosas onde se apanha o sargaço; de aldeias com casas de granito, de gândara e de grandes rochedos gastos pelo vento, de pequenos campos de centeio rodeados por pedras nuas. Aqui, vêem-se grandes rebanhos de carneiros e de cabras, de vacas castanhas com cornos enormes em forma de lira. Para se protegerem do frio e da chuva, homens e mulheres usam, ainda, capas de palha e feltro castanho. Descobri pessoas naturais, verdadeiras, que aceitam com simplicidade que eu viva com elas para as fotografar. [Georges Dussaud, Encontros de Fotografia, 1995]

Retrospectiva de Georges Dussaud, Centro Português de Fotografia, Porto - Até 16 de Setembro

[PS. A Srª Ministra da Cultura prometeu a edição de um catálogo da retrospectiva de Dussaud. Aguardemos pacientemente o fim do Verão...]

Quente, muito quente

Sapiência

If you want your children to be intelligent, read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales. [Einstein]

Friday, July 27, 2007

The experience of SILENCE

Podemos confundir ausência e silêncio? 4 minutos no IP19 proporcionam uma experiência sensorial diferente da que seria vivida na 6ª avenida em NY?
John Cage himself ajuda-nos a decifrar o significado do som e a sua relação com a Música. Ou empura-nos para aventura da descoberta dos sons. E do silêncio.


Sunday, July 15, 2007

Algarve

O Algarve do sol e das praias (cheias!) tem fotografias expostas que merecem uma espreitadela. Antes de subir a Lisboa, o tour 2007 do World Press Photo atraca na zona Ribeirinha de Portimão, entre 20 de Julho e 12 de Agosto.

Em Faro, os Encontros de Fotografia (ou o Centro de Artes Visuais) de Coimbra mostram Procurar Portugal, uma exposição comissariada por Albano da Silva Pereira em dois espaços da cidade: Museu Municipal e a Galeria Trem.

No museu mostram-se trabalhos feitos por três fotógrafas internacionais que visitaram e trabalharam em Portugal entre 1994 e 2006: a alemã Candida Höfer, a britânica Hannah Collins e a holandesa Rineka Dijkstra.

Na Galeria Trem estão as encomendas dos Encontros entre 1990 e 1996 a Debbie Fleming Caffery, Flor Garduño, Cristina Garcia Rodero, Martine Voyeux e Inês Gonçalves. Debbie Fleming Caffery fotografou o Portugal rural em Vale do Mondego, Flor Garduño mostra-nos os costumes e a relação do Norte com a natureza, Cristina Garcia Rodero os ritos católicos nos Açores, Martine Voyeux fixa uma Lisboa popular e Inês Gonçalves debruçou-se sobre filhos de imigrantes.


[As imagens do WPPhoto 2007 estão desde Sexta passada nos Açores, no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, onde ficam até 2 de Agosto.]

Políticas

Começámos o dia com o entendimento de que o World Press Photo vai ter nova morada em Lisboa: o Museu da Electricidade. O que temíamos começa a acontecer: a instalação da Colecção Museu Berardo no Centro Cultural de Belém impede a existência de salas disponíveis neste espaço para receber exposições itinerantes. Felizmente, a principal exposição de fotojornalismo em Portugal já tem residência, pelo menos para a edição que inaugura a 16 de Agosto, juntamente com as fotografias do Prémio Visão Fotojornalismo. Outros projectos menos mediáticos não terão, certamente, igual destino.

Há um biscoito simpático, anunciado ontem: a Colecção Berardo mantém-se de portas abertas gratuitamente até ao final do ano. Políticas!

Thursday, July 12, 2007

Mark E Smith

Com 50 anos registados em Março passado, Mark Edward Smith soma 26 álbuns de estúdio com os The Fall. Fundador do projecto, a banda conheceu nas últimas 3 décadas inúmeros line-ups, mas o carisma do seu líder tem assegurado a sobrevivência do grupo que se confunde com o próprio front-man. Continuam a tocar ao vivo, a gravar em estúdio e a vitalidade criativa de Mark E Smith continua a manifestar-se e a servir de estimulo em cenários múltiplos.

Dois exemplos recentes...
VON Südenfed, aliança Anglo-germânica, que germinou do encontro de ME Smith com a dupla alemã Mouse on Mars [Jan St Werner e Andi Toma], ou noutra plataforma artística, Perverted By Language: Fiction Inspired by The Fall, uma antologia de short stories compiladas por Peter Wild, jornalista, escritor e, no mínimo, fanático dos Fall.

O techno perverso e as palavras mastigadas de Mark. E Smtih materializam-se em Tromatic Reflexxions, estreia em disco de Von Südenfed, para a Domino.


Perverted by language, foi recentemente publicado pela Serpent's Tail.

Tuesday, July 10, 2007

Young Marble Giants, Colossal !

A extraordinária Domino Records, de quem se espera um novo trabalho de Robert Wyatt, re-edita por estes dias o primeiro e único álbum do projecto de Alison Statton e dos irmãos Moxham, os Young Marble Giants.
Collosal Youth é uma pérola do período pós-punk editado originalmente no inicio da década de 80. Guitarra, baixo e alguns padrões fornecidos pela caixa de ritmos improvisada, contextualizam a encantadora voz de Alison Statton, para uma mão cheia de canções ( ou projectos de...) intimistas.

Em 2007, a Domino expande o registo original com singles e um conjunto de faixas de uma Peel Session dos YMG em 1980. O resultado é um colossal 3xCD, imperdível!

Monday, July 09, 2007

Bernd Becher morreu aos 75 anos

A 22 de Junho deste 2007 morreu Bernd Becher. Conceituado fotógrafo alemão, professor e influente pedagogo, alguns dos seus alunos formam um dos núcleos de maior sucesso de todos os tempos da fotografia de arte: Candida Hofer, Thomas Struth, Thomas Ruff e Andreas Gursky. Apenas como exempo, Gursky é actualmente o fotógrafo vivo com o recorde de preço de um único trabalho, mais de 3,3 milhões de dólares, para o seu díptico 99 cents.

O fascínio de Bernd Becher pelos vestigios da era industrial, e os seus efeitos na paisagem, foi ao longo da maior parte da sua vida partilhado pela sua mulher, Hilla Becher, com quem se cruzou ainda enquanto estudante na Staatliche Kunstakademie de Stuttgart. Uma abordagem científica e rigorosa, mantendo as imagens que produziam o mais uniformemente possível, são marcas indissociáveis dos seus trabalhos. O legado de Bernd e Hilla Becher inclui análises metódicas e sistemáticas sobre técnicas de engenharia e construção, torres de água, depósitos de gás, casas e prédios de habitação ou silos para cereais.

A escola Becher há muito que é reconhecida, e a sua influencia em toda uma geração de fotógrafos documentais e artistas, garantem-lhe reputação como um dos nomes mais importantes da fotografia na segunda metade do século passado. Os trabalhos da dupla Becher estiverm representados em Portugal diversas vezes, desde dos Encontros de Fotografia de Coimbra aos Encontros de Imagem de Braga, ou, mais recentemente, a exposição deste ano comissariada por Jorge Calado para a Fundação Gulbenkian: Ingenuidades - Fotografia e Engenharia.