Três dias de liberdade criativa: regressa o Portalegre JazzFest
Para quem gosta de experimentar e sentir as formas mais livres na música, correr o risco e ousadia na improvisação pura e o cruzamento de linguagens, a 21.ª edição do Festival de Jazz de Portalegre está aí e acontece já nos próximos dias 2 a 4 de julho.
O cartaz deste ano desenha um diálogo fascinante entre a história viva do jazz nacional e espreita dois belíssimos ângulos das vanguardas internacionais mais disruptivas. Num festival de três dias, apontam-se quatro eixos que importa acompanhar:
1. Encontro Nova-Iorquino: Sara Serpa & Matt Mitchell (2 de Julho)
O festival arranca a quebrar barreiras. Sara Serpa, uma das vozes mais singulares da cena de Nova Iorque (e orgulhosamente portuguesa), apresenta-se com o pianista e compositor norte-americano Matt Mitchell.
O duo explora uma simbiose única onde a voz de Sara Serpa é tratada como um instrumento abstrato e o piano de Mitchell desconstrói o ritmo e a harmonia em tempo real. É música cerebral, mas profundamente magnética e emotiva.
Para além do seu trabalho em nome próprio e com a vocalista Sara Serpa (com quem mantém uma longa e cúmplice parceria em projetos como Intimate Strangers), Mitchell é um colaborador de eleição de grandes referências do jazz experimental e da música criativa, incluindo nomes como Tim Berne (no grupo Snakeoil), Dave Douglas, John Zorn, Steve Coleman e Ches Smith.
Sara Serpa tem colaborado com algumas das mentes mais brilhantes e influentes da música improvisada e do avant-garde. Entre os seus parceiros de palco e estúdio destacam-se gigantes como o saxofonista John Zorn, Greg Osby ou Mark Turner, o pianista Danilo Pérez, o contrabaixista Ben Street e, claro, o marido e português André Matos, guitarrista.
2. A Mutação da Guitarra: O Ciclo no Jardim da Tapeçaria
A guitarra volta a ser peça central na programação do Portalegre JazzFest. Depois de Bill Frisell com Thomas Morgan e Marc Ribot a solo, na edição de 2026 marcam presença dois norte-americanos, Kelby Clark e Emily Robb e o norueguês radicado em Copenhaga Hein Westgaard. Propostas de descoberta e novidade para os três dias do festival, sempre ao fim da tarde, com três abordagens experimentais aos instrumentos de corda.
3. Tradição viva e os novos caminhos Jazz PT
Sempre no Grande Auditório do CAE Portalegre, onde o duo Serpa/Mitchell se apresenta no dia da abertura, dois projetos nacionais ocupam o palco no 2º e 3º dias do festival.
Dia 3, o recuperado Sexteto de Jazz de Lisboa (com Mário Laginha, Ricardo Toscano e companhia) e no dia seguinte, Matriz_Motriz as novas abordagens sem classificação de Mané Fernandes (4 de Julho)
4. Afer.hours com epicentro em Bergen
As noites desafiantes do Portalegre JazzFest focam e celebram nos claustros do Convento de Santa Clara, as práticas da cena improvisada de Bergen, a segunda maior cidade da Noruega. O jovem e multifacetado saxofonista Aksel Røed será figura central, participando nos três concertos, primeiro com o Red Quartet, Duplexities no dia 3 de julho (com o baterista Kåre Opheim) e no próprio Aksel Røed Trio na noite derradeira do festival. Gente nova, ideias frescas, numa estética que não se acomoda e reinventa permanentemente.
Sublinha-se, para quem ousa pisar o risco, Portalegre está ao virar da esquina.

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